Leia, na seqüência, artigo de autoria de Eduardo Corrêa, jornalista, produtor e colunista de gastronomia da rádio CBN. Em 2009 a safra de café no Paraná foi 44% menor do que no ano anterior. Dados da Companhia Nacional de Abastecimento divulgados em dezembro apontam que o Estado teve a maior queda na produção de café no País, devido principalmente a problemas causados pelo clima. A redução nacional foi, em média, de 14%. Mas 2009 ficou para trás e as previsões são otimistas. A própria Conab estima que o Paraná deve ter uma produção entre 16% e 23% maior em 2010. Nacionalmente fala-se em safra recorde, mesmo que os produtores afirmem que seja quase impossível atingir esta marca. Se são os técnicos da Conab ou os produtores que estão com a razão, só o tempo dirá. O fato é que o grão ainda é rentável e em muitas regiões os investimentos estão voltados para cafés especiais, que geram maior rentabilidade. É o que acontece no Norte Pioneiro do Paraná. A saca de um produto de qualidade pode passar dos R$ 750,00 em leilões. Uma saca de café comum não chega a R$ 300,00 O Brasil é o maior produtor de café, mas os campeões de consumo são os americanos. A cultura do preparo do café, como conhecemos hoje, teve origem na Turquia. A historiadora Ana Luiza Martins, autora do livro “História do Café”, traçou o percurso até o Brasil. Como o grão estava em evidência no mercado internacional e os portugueses precisavam explorar no Brasil uma cultura lucrativa, a produção de café foi incentivada por aqui. Além da importância econômica, é impossível deixar de lado a questão social relacionada ao consumo do café. Em muitas situações, quando alguém fala: “vamos tomar um cafezinho?”, na verdade o significado é: “vamos conversar, colocar a conversa em dia”. Em Curitiba, talvez o mais famoso e importante ponto de encontro para conversas tenha sido o “Café da Boca”, que durante cinco décadas”, até 2008, foi o coração da Boca Maldita. Reduto machista, o ponto concentrava as principais informações econômicas, políticas e sociais da capital, muitas vezes do Estado. Apesar da importância, o local não resistiu às mudanças do perfil do consumidor de café. Hoje, na verdade, devemos falar do plural, perfis. Também estão bem diferentes os lugares onde é possível tomar a bebida. O barista Paulo Edson de Souza diz que o chamariz não é mais apenas um simples cafezinho. Os ambientes, mantendo os traços tradicionais ou mais descolados, propícios ao bom papo, atraem gente como Zuleina Guerreira Malgati e Antônio José Corrêa, que nem são muito fãs de café. Mas quem não abre mão da bebida para acompanhar a conversa rápida. O café é essencial para a advogada Rona Danelewis. Por mais que o consumo de cafés especiais esteja crescendo, ainda há muitas dúvidas em relação ao assunto. Por exemplo, você sabe para que serve aquele copinho de água com gás que é servido com o café em muitas cafeterias? Com a palavra, o barista. O biscoitinho que geralmente vem junto é só frescura mesmo. E para quem quer preparar um bom café em casa, é bom prestar atenção na temperatura da água. Quem quer ousar mais pode apostar no uso do café no preparo de receitas, doces e salgados. Isso mesmo, a bebida também dá um toque especial em molhos para carnes, por exemplo. O chef Danielo Garramone, professor do Espaço Gourmet Gastronomia, garante que a combinação é perfeita. Muita gente até tenta, mas prepara o café em casa para usar em receitas e se decepciona. Uma das sobremesas mais testadas, e que se transforma em decepção na maioria das vezes, certamente é o tiramissú. O segredo está na escolha e no preparo do café. Geralmente a bebida usada é mais fraca do que o necessário. A diferença está na torra. E quem diria que um grãozinho, aparentemente sem importância, teria um significado tão especial para a maioria das pessoas, seja por qual motivo for. Para os fãs da bebida, lembrem-se sempre do aroma do café fresco, recém preparado, logo no início da manhã |